19 setembro 2006

 

Privatização da água bloqueada

A Assembleia Municipal decorrida na passada 6ª feira não votou o processo de concurso de concessão do abastecimento de água e saneamento do Concelho de Azambuja.
No entendimento do PSD, não o poderia nem deveria fazer, dado que entrou um processo de iniciativa popular de referendo local sobre o tema, o qual o próprio presidente da Assembleia Municipal reconheceu que possuía condições para ser apreciado por este órgão autárquico. Donde, deve ser dada primazia a esta questão, até para que não se decida vir a lançar um concurso e depois anulá-lo em função do voto dos munícipes.
O PSD deixou claro que não abdica da sua posição e, se for forçado a isso, irá até defendê-la em tribunal.
No entanto, o processo não poderia de forma alguma ser votado. Em mais uma demonstração da incompetência que vai grassando pela gestão da Câmara Municipal de Azambuja, foi presente à Assembleia Municipal um processo de concurso diferente do que havia sido aprovado em reunião de Câmara. Uma vez que, por força da Lei, a Assembleia Municipal não pode alterar os documentos vindos da Câmara, o processo nunca poderia vir a ser votado.
Uma vez que o processo que foi presente à Assembleia Municipal contém referência a disposições legislativas mais recentes que a versão anterior, só resta ao executivo socialista assumir mais este erro e – se quiser continuar a insistir na concessão – levar novamente o processo a reunião de Câmara.
O PSD renova ainda o seu apelo a que o PS pondere a já largamente expressa vontade do Povo do Concelho de Azambuja de discutir e votar a concessão de águas e saneamento e viabilize o processo de referendo no mais curto espaço de tempo possível. Neste aspecto, e dado que o PS/Azambuja gosta tanto de seguir exemplos doutros concelhos, recomendamos que siga o dos socialistas da Covilhã, município onde apoiam uma iniciativa de referendo entretanto lançada, similar à de Azambuja.

 

PSD/Azambuja defende Derrama mais baixa

À semelhança do que já havia feito na Câmara, o PSD votou contra a proposta de Derrama de 8%, valor idêntico ao do ano passado.
Efectivamente, o PS já reconhece que o PSD tem razão há muitos anos, quando defende que baixar o valor da Derrama é uma forma de atrair empresas e, assim, desenvolver a economia do concelho. Ora, numa época de crise, agravada pelo próximo encerramento da Opel e pelo perigo de encerramento de outras empresas deste município, a medida correcta a tomar seria prosseguir a baixa do valor de Derrama, e não mantê-lo.
Uma vez mais, a gestão do PS dá prioridade ao encaixe financeiro da Câmara, em prejuízo da possibilidade de incrementar o desenvolvimento económico do Concelho – com o qual decerto viriam mais e melhor consolidadas receitas para a autarquia.

 

PSD vota IMI com reservas

As taxas para o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), idênticas às do ano transacto, mereceram o voto favorável do PSD na Assembleia Municipal, tal como na Câmara.
No entanto, o PSD expressou diversas reservas, dado que há instrumentos de benefício e de prejuízo cuja utilização deve ser ponderada. Nomeadamente, e dentro do combate à desertificação que se vem verificando no alto concelho, podem ser introduzidas taxas mais reduzidas; por outro lado, no sentido de combater a degradação de imóveis, pode efectuar-se um aumento das taxas que incidem sobre prédios degradados. Esta última medida, deve ser equacionada em conjunto com uma política de apoio à reabilitação dos imóveis.
No próximo ano, em função de uma análise ponderada das circunstâncias, o PSD irá propor medidas nesses sentidos.
Em consequência, as taxas de IMI para 2007 serão de 0,8% para prédios rústicos, 0,65% para prédios urbanos e, para os prédios urbanos já avaliados de acordo com o Código do IMI, a taxa será de 0,4%.

 

Obras sem relatório final da fiscalização

A obra do Pontão de Aveiras de Baixo que a Empresa Municipal de Infraestruturas da Azambuja (EMIA) apresentou para recepção pela Câmara, não vinha acompanhada de um relatório final da fiscalização.
Conforme o PSD/Azambuja já anteriormente vincara, não votaremos favoravelmente a recepção de obras nestas condições. A empresa de fiscalização recebe uma verba de 10% do valor da obra, o que se nos afigura mais do que suficiente para poder apresentar o citado relatório e para que sejam enviadas cópias aos autarcas.
Registamos com agrado que o presidente da Câmara agora entendeu esta sugestão como boa e ficamos a aguardar o seu cabal cumprimento em próximos processos de recepção de obras.

 

1 concurso + 1 concurso = 0

A maioria socialista da Câmara de Azambuja quis concessionar a água e levou à vereação um processo de concurso – que aprovou contra os votos do PSD e PCP. É esse concurso cujos elementos podem ser consultados através das ligações que constam na margem esquerda deste blog.
A Câmara enviou para a Assembleia Municipal um processo de concurso diferente do aprovado em Câmara. Uma vez que não se sabe qual é o correcto, brevemente estarão disponíveis aqui as páginas divergentes do processo.
Entretanto, o concurso não foi votado – porque não é possível votar na Assembleia Municipal algo diferente do que foi aprovado em Câmara!
E, com tanta incompetência, ficámos sem saber qual é, afinal, o concurso que o PS quer…

14 setembro 2006

 

Cidadãos entregam processo de referendo

O processo de iniciativa popular de referendo local sobre a concessão do sistema de águas e saneamento em Azambuja foi ontem entregue ao presidente da Assembleia Municipal.
Foram recolhidas quase 3000 assinaturas no âmbito desta iniciativa, das quais quase 2100 foram apensas ao processo. Isto deve-se ao condicionalismo legal que limita o máximo de assinaturas a entregar em 1,5 vezes o número mínimo.
Fica assim inequivocamente provada a vontade da população do concelho de Azambuja de querer discutir e votar esta concessão da água e saneamento a privados, tanto mais que esta recolha de assinaturas foi em larga medida efectuada durante o mês de Agosto, tradicionalmente época de férias para muitas famílias.
Apesar de, inicialmente, este processo ter sido uma iniciativa do PSD, é de realçar a adesão e o empenho na sua execução de cidadãos dos mais diversos quadrantes políticos, o que lhe conferiu a força de uma verdadeira iniciativa popular.
Em função da entrega do processo de referendo, é entendimento do PSD/Azambuja que o ponto 2 da Ordem do Dia da próxima reunião da Assembleia Municipal (sexta-feira, 15 de Setembro, pelas 21:00, na Casa do Povo de Aveiras de Baixo) – que visava aprovar o processo de concurso – deve ser retirado.
O PSD/Azambuja convida serenamente o PS e o executivo camarário a ponderarem a vontade expressa dos cidadãos e a aceitarem a discussão do assunto com os munícipes, bem como a decisão, através do voto em referendo pelo Povo do Concelho de Azambuja.
O PSD/Azambuja recorda que, no cumprimento do seu dever de contribuir para informar os cidadãos, colocou disponível todo o processo de concurso na Internet, através da morada http://psd-azambuja.blogspot.com/ , uma vez que a Câmara Municipal não o disponibilizou ao público.

Azambuja, 14 de Setembro de 2006.
O presidente da Comissão Política,
Luís Leandro

 

Distrital reuniu em Azambuja

A Comissão Política Distrital de Lisboa alargada (que integra os membros eleitos e os presidentes das Secções) reuniu-se pela primeira vez desde as eleições de 13 de Julho e Azambuja foi a Secção escolhida para efectuar o conclave, onde foi patente um apoio às posições do PSD/Azambuja em problemas como o encerramento da Opel ou a concessão da água.
Paula Teixeira da Cruz, presidente da CPDL, divulgou nesta primeira reunião a vontade da Comissão Política a que preside de encetar trabalho programado com as secções e efectuar uma grande aposta na área de formação.
Nesta área, que será coordenada por Torres Pereira, foi assumido o compromisso de virem a ser realizadas 20 acções de formação (uma por município) e seis colóquios temáticos, de âmbito supra-concelhio.
A participação da Distrital e das Secções com ideias para a revisão de estatutos e do Programa do PSD, além de propostas para um modelo concreto de Reforma Administrativa, foram outros tópicos abordados por Paula Teixeira da Cruz.
O tesoureiro da CPDL, Fernando Ferreira, alertou para a necessidade de realização de obras na sede distrital e abordou os problemas financeiros com que se debate a estrutura.
A área financeira foi também um dos tópicos da intervenção do presidente da Comissão Política de Cascais, Carlos Carreiras, que criticou a intenção anunciada pelo secretário-geral do PSD de vir a retirar funções financeiras às Secções. Para Carreiras, tal viria a comprometer seriamente a capacidade de acção das estruturas locais do Partido. O dirigente de Cascais defendeu ainda a colocação na ordem do dia do problema da Agenda XXI, aproveitou para divulgar o “Ciclo de Empreendorismo de Cascais” e abordou o problema do encerramento da Opel em Azambuja.
O presidente da Secção de Azambuja, Luís Leandro, realçou a necessidade de formação dos tesoureiros das secções sobre a legislação das contas partidárias e da disponibilização de apoio aos autarcas na áreas jurídica, económica e técnica nos concelhos onde o PSD é oposição. Leandro defendeu também que deve haver coordenação política entre a distrital e as secções nos assuntos que abrangem vários concelhos e pugnou por uma colaboração activa entre os deputados eleitos pelo distrito e as secções.
Paula Teixeira da Cruz abordou ainda questões mais vastas, como a abordagem de um neo-proteccionismo na concorrência global, em face dos países que não cumprem as mesmas exigências de protecção dos trabalhadores e de solidariedade social, praticando assim uma concorrência desleal. A presidente da CPDL colocou ainda em agenda a reflexão sobre a verdadeira utilidade das parcerias público-privadas, as quais, frisou, já estão a ser abandonadas em países como a Inglaterra ou a Alemanha.
Esta reunião consagrou também um novo modelo, dado que foi aberta aos militantes locais do PSD e à comunicação social. A próxima reunião será agendada para a Secção de Cascais.

 

PSD propõe nova escola

Foi aprovada em reunião de Câmara uma proposta do PSD/Azambuja no sentido de se começar desde já a estudar a construção de uma nova escola na zona nascente da vila de Azambuja.
Recorde-se que a escola básica de Azambuja está sobre-lotada, estando muitos alunos a ter aulas em “contentores” desde o ano lectivo passado, e outros distribuídos por escolas de localidades vizinhas.
Não obstante as promessas do executivo socialista, ainda não se vêm as obras para a construção da nova escola, a localizar na zona poente de Azambuja.
Assim, é mais do que justificada a preocupação do PSD em ser de imediato encetado o processo que leve à construção de mais uma unidade educativa, cuja necessidade estava já prevista.
Refira-se, também, que o PSD já há vários meses chamou a atenção do executivo camarário para a insuficiência de instalações escolares em Vila Nova da Rainha para fazer face ao crescimento demográfico decorrente da ocupação das habitações do Bairro da Socasa. Estes alertas também caíram em orelhas moucas, sendo expectável, assim, que no futuro também as crianças desta localidade acabem dentro de “contentores”.

17 agosto 2006

 

PSD lança referendo sobre o negócio de privatização da água em Azambuja

A Comissão Política Concelhia de Azambuja do Partido Social Democrata decidiu lançar um referendo local sobre a “privatização” da água do concelho.
Este referendo local será lançado sobre a forma de iniciativa popular, através da recolha de assinaturas para a sua convocação. Assim, embora a iniciativa parta do PSD, ela fica aberta à participação de todos os que não desejam ver a nossa água tornar-se em mercadoria e ficar sujeita às leis do lucro, ao invés de se manter ao serviço público.

Esta iniciativa é o corolário lógico face à recusa do PS em permitir a discussão pública do tema, e em função da gravidade de que ele se reveste.
A questão da privatização da água não foi apresentada aos eleitores como parte integrante do programa do PS, que venceu as eleições. Logo, não foi sufragada pelo eleitorado.
A democracia representativa é um contrato em que os eleitos assumem compromissos perante os eleitores, que em função destes escolhem quem os deve governar. A privatização da água não foi um compromisso assumido pelo partido que gere os destinos desta autarquia.
Trata-se duma opção de fundo para a vida deste concelho e a situação é agravada pelo facto de o PS querer impor uma concessão por 30 anos – mais de sete mandatos dos órgãos autárquicos!
Assim, a Comissão Política do PSD/Azambuja entende ser imperioso que o Povo deste concelho se pronuncie e decida este tema, pelo que se justifica o lançamento deste referendo.

O PSD/Azambuja já tornou clara a sua posição de princípio sobre este tema: para nós, um bem essencial à vida das pessoas, como o é o abastecimento de água, que configura ainda uma situação de monopólio, deve manter-se sob o domínio público e o controlo directo das instituições democráticas que representam os cidadãos.
A água é de todos, para todos, por um preço justo – e não para fazer lucrar alguns!

Para além desta posição de princípio, o próprio processo de concessão do serviço de distribuição de água e drenagem de águas residuais enforma de diversos problemas.

A Câmara Municipal de Azambuja não efectuou qualquer estudo económico sobre aquilo que se propõe concessionar. Portanto, não há uma avaliação do que se quer vender.
Após muita insistência do PSD, foram fornecidos dados que determinam que, no período compreendido entre Novembro de 2004 e Outubro de 2005, apenas 54% da água se destinou aos consumidores. É desconhecido o destino dos restantes 46%.
A Câmara desconhece qual é o seu próprio consumo de água, qual o consumo utilizado no combate a incêndios ou qual a perca de água do sistema, por exemplo.
Sem dados, sem um estudo económico, não é possível saber se este negócio dará lucro ou prejuízo ao Município.
O PSD/Azambuja nunca poderia aprovar um negócio nestas condições!

A água no concelho de Azambuja é já hoje mais cara que a de muitos concelhos limítrofes.
Os consumidores já pagam mais do que aquilo que consomem.
Com os dados que é possível dispor (de Novembro de 2004 a Outubro de 2005), todos os custos com a água somaram cerca de 3,215 milhões de euros. A parte dos consumidores (54%) é cerca de 1,726 milhões de euros. A Câmara facturou aos consumidores cerca de 2,039 milhões de euros. Donde, sobraram cerca de 0,313 milhões de euros! – cerca de 15% de “lucro”.
Depois disto, em 2006, a Câmara efectuou aumentos de cerca de 20%. Ao mesmo tempo que determinou aumentos sucessivos de 15%, 10% e 5% para os anos seguintes.
No tarifário proposto neste concurso, o preço da água manter-se-á no primeiro ano. Segue-se um aumento de 10% no segundo ano e de 5% nos terceiro e quarto anos (um aumento total de 21,3%).
Face a isto, ou as contas da Câmara estavam inflacionadas ou o concessionário vai receber menos do que devia nos anos até às eleições.
Considerando que qualquer empresa quererá ganhar dinheiro, só podemos deduzir que, após as próximas eleições o PS premiará a empresa com quem fizer este negócio com um aumento de tarifas.
É por isso que o nº 2 do art.º 59º do Caderno de Encargos estabelece, na sua alínea a), que a fórmula de revisão da tarifa pode ser alterada “ao fim de cinco anos de vigência do Contrato”.
O PSD/Azambuja nunca concordará que sejam os consumidores a pagar os erros de gestão e os negócios que o PS quer promover!

Porém, não se ficam por aqui as expectativas de aumentos. O programa de concurso só define valores para as tarifas de venda de água. Todos os outros 75 itens ficam à mercê dos concorrentes.
Nesses itens, estão incluídas coisas como a quota de serviço, as tarifas de saneamento (que actualmente ainda não se paga), a ligação de ramais às habitações, a limpeza de fossas ou a tarifa de conservação.
Em resumo, com este negócio, os consumidores só podem esperar vir a pagar muito mais!

Todo este negócio enferma de um eleitoralismo doentio. Repare-se nos valores mínimos que o PS pretende que a Câmara receba:
• No primeiro ano, 200’000€ (pagos logo à cabeça);
• No segundo ano, 100’000€;
• No terceiro ano, 80’000€;
• No quarto ano, 60’000€;
• A partir do quinto ano, 20’000€.
Alguém pode dizer que isto é um negócio de futuro para o Município de Azambuja?
O PSD nunca concordará com um negócio que vai servir os interesses do PS no presente hipotecando todo o futuro do concelho!


Outra razão adiantada pelo presidente da Câmara é a de que não é capaz de gerir bem o abastecimento de água e o saneamento. Neste e noutros assuntos, o PS tem de facto brindado o concelho com a sua incompetência nas últimas duas décadas.
O PS deixou passar os anos sem realizar os investimentos que prometia e ainda desleixou por completo a conservação do que havia. Desperdiçou oportunidades de financiamentos comunitários. E agora, vem querer lavar as mãos do assunto.
Para o PSD, o que se deve fazer é perceber o que não está bem e pô-lo a funcionar como deve de ser!

Residirá o problema nos trabalhadores?
Não será isso decerto, pois o PS propõe-se “chutá-los” para a empresa com quem fizer o negócio.
23 trabalhadores da Câmara vêm o seu nome afixado na lista de um concurso público como elementos a transferir sem sequer o saberem – e muito menos terem concordado com isso!
Se se recusarem a ir, que irá suceder? A Câmara ficará com trabalhadores a mais?


Outro argumento de Joaquim Ramos é o de que a Câmara não tem capacidade financeira para os investimentos necessários. É um argumento falacioso.
Em boa parte, a Câmara poderá candidatar-se a fundos comunitários. Aliás, está previsto no concurso que o faça e canalize essas verbas para a empresa que ganhar o negócio.
Por outro lado, para cumprir a sua parte, pode recorrer à banca. A Câmara tem capacidade de endividamento suficiente e não sofre aqui os efeitos das restrições colocadas pelo Governo ao endividamento das autarquias.
Além disso, como pode o presidente da Câmara afirmar que não tem dinheiro se não efectuou nenhum estudo económico sobre o assunto?

Porque obriga o PS a que a sede da empresa fique dentro do “perímetro urbano de Azambuja”? Porque não há-de a empresa poder escolher uma outra localidade do concelho, assegurando-se postos obrigatórios de atendimento ao público em Azambuja e Aveiras de Cima ou Alcoentre?
Será que o próprio local para a sede da empresa que ganhar este negócio também já estará escolhido?

Em face de tudo isto, o PSD/Azambuja só podia escolher o caminho de obrigar a Câmara e o PS a escutarem o Povo de Azambuja.

Azambuja, 11 de Agosto de 2006.
O presidente da Comissão Política,
Luís Leandro

 

PSD contra negócio de privatização selvagem da água em Azambuja

A Concelhia de Azambuja do Partido Social Democrata está contra a “privatização” da água do concelho que o PS pretende impor.
Um bem essencial como a água deve estar ao serviço de todo o público e não deve ser alienado com ligeireza – e logo por 30 anos!
A água é de todos, para todos, por um preço justo – e não para fazer lucrar alguns!

O PSD/Azambuja está contra qualquer privatização da água sem um prévio estudo económico. O PS não o quer fazer. Porquê?
Porque quer o PS vender o abastecimento de água sem saber quanto gasta a própria Câmara?
Este negócio dará lucro ou prejuízo ao Município?
Sem dados, sem um estudo económico, não é possível sabê-lo. E o PS não quer saber, quer é vender! Porquê?
E porquê uma concessão para 30 anos?

O PSD quer que a população seja ouvida. O PS não quer. Porquê?
O PS tem medo que a população diga que não? Foi por isso que não colocou este negócio no seu programa eleitoral?
O PSD exige que um negócio desta importância seja discutido com o Povo do Concelho!

O presidente da Câmara afirma que a autarquia não é capaz de gerir bem o abastecimento de água e o saneamento, assumindo a sua incompetência para lidar com principal promessa feita aos eleitores. De facto, esta privatização é a assumpção clamorosa do falhanço de duas décadas de gestão socialista em Azambuja!
Duas décadas em que o PS não fez paulatinamente o que lhe competia na manutenção, renovação e ampliação das redes de abastecimento de água e de saneamento, apesar dos subsídios da União Europeia de que dispunha para o fazer e das reiteradas promessas eleitorais.
O PSD também não deixa de estranhar que o actual presidente da Câmara só tenha chegado a essa conclusão ao fim de cinco anos e sem nenhum estudo económico que lhe suporte essa conclusão…

Joaquim Ramos afirma que a Câmara não tem capacidade financeira para os investimentos. Mas quem ganhar o negócio irá fazer esses investimentos com as verbas da UE que a Câmara vai pedir.
Por outro lado, a própria autarquia pode pedir empréstimos para este fim, pois isso não conta para os limites do endividamento impostos pelo Governo.
Então, porquê este negócio?

Joaquim Ramos afirma também que acautelou o problema das tarifas a pagar pelos consumidores. Será?
No primeiro ano, as tarifas previstas são idênticas às actuais. Segue-se um aumento de 10% no segundo ano e de 5% nos terceiro e quarto anos (um aumento total de 21,3%). A partir daí o preço será revisto de acordo com uma complicada fórmula que engloba um total de 20 índices agregados a uma variedade de coeficientes e cujo cálculo o próprio presidente da Câmara foi incapaz de explicar e aplicar na reunião da vereação!
Se, como afirma Ramos, os aumentos terão que estar de acordo com a inflação, então porque não utiliza única e exclusivamente esse parâmetro como factor na fórmula?
E porque se fixa que a fórmula de revisão de tarifas pode ser revista ao fim de cinco anos? Só pode ser para permitir aumentos acima dos que agora são definidos!
Sendo certo que no programa de concurso estão fixados os valores das tarifas de consumo, porque ficaram em branco os valores para tudo o resto, desde as quotas de serviço às ligações de ramais, instalação de contadores ou limpeza de fossas, entre muitos outros?
Quais serão os valores para esses 75 itens? Os que quem ganhar o negócio quiser fixar?

O PSD/Azambuja recorda que, aplicando o “princípio do utilizador-pagador” tão caro ao presidente da Câmara, e segundo os dados fornecidos pela própria autarquia para o período Outubro/2004 a Novembro/2005, os consumidores pagavam mais 15% do que aquilo que consumiam – e isto antes do aumento de 20% imposto para 2006!
Em face deste negócio, quanto virão os consumidores a pagar nos próximos 30 anos? Não sabemos (porque não nos dão dados), mas podemos apostar, em face do secretismo, que será muito mais!

A actual gestão socialista da Câmara só está interessada em angariar capital para o momento presente. Faz um contrato de 30 anos, mas o que verdadeiramente lhe interessa são os anos que vêm até às próximas eleições. Depois, “quem vier atrás que feche a porta”!
Senão, porque quer o PS receber no mínimo 200 mil euros no primeiro ano (e a pronto, logo à cabeça), 100 mil no segundo, 80 mil no terceiro, 60 mil no quarto e, nos 25 anos seguintes, apenas 20 mil euros (dez vezes menos que no primeiro ano)?
Porque não quer o PS adoptar um valor que vá subindo gradualmente ao longo dos anos, tal como irá subir aquilo que os consumidores vão pagar?

E, já agora, porque é que a falta de pagamento da empresa à Câmara não surge entre tantas condições previstas para se rescindir o contrato?
Quem ganhar o negócio pode cortar a água a quem não pague mas, se vier a não pagar à Câmara, nada lhe acontece, a não ser acumular juros!

A Câmara propõe-se “chutar” para a empresa que ganhar o negócio 23 dos seus trabalhadores.
Um partido que se diz socialista não se preocupou em dialogar com esses trabalhadores e obter o seu assentimento antes de afixar os seus nomes num mapa de um concurso público!
Que acontecerá aos que não quiserem aceitar ir para essa empresa?
Ficarão na Câmara sem funções atribuídas? Irão ser inventadas novas funções para eles, dado que actualmente a autarquia não tem falta de pessoal? Irão parar a algum “quadro de mobilidade” que a gestão PS irá criar?
Aos que aceitarem ir para essa empresa em regime de requisição, que lhes fará a autarquia após terminado o período desta?
O PSD exige que a situação dos trabalhadores seja clarificada com eles antes do lançamento de um concurso público em que estão envolvidos como elementos a integrar pela empresa a quem for dado este negócio!

Porque obriga o PS a que a sede da empresa fique dentro do “perímetro urbano de Azambuja”? Porque não há-de a empresa poder escolher uma outra localidade do concelho, assegurando-se postos obrigatórios de atendimento ao público em Azambuja e Aveiras de Cima ou Alcoentre?
Será que o próprio local para a sede da empresa que ganhar este negócio também já estará escolhido?

Em conclusão, perante uma decisão tão grave, que não tem fundamentação económica e que carece de suporte político, pois não foi apresentada aos eleitores, o PSD/Azambuja irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para:
Suspender o processo decisório sobre o negócio da privatização da água e saneamento.
Obrigar a Câmara e o PS a escutarem o Povo de Azambuja.

Azambuja, 8 de Agosto de 2006.
O presidente da Comissão Política,
Luís Leandro

 

Afinal, a água dá lucro!

É mais de 15% o que a Câmara lucrou com a venda de água em 2005*!
Apenas 54% da água é consumida por particulares e empresas.
TODOS os custos com a água somaram cerca de 3,215 milhões de euros.
Logo, a parte dos consumidores (54%) é cerca de 1,726 milhões de euros.
A Câmara facturou aos consumidores cerca de 2,039 milhões de euros.
Donde, sobraram cerca de 0,313 milhões de euros!

O presidente Joaquim Ramos e o PS impuseram aumentos de água para os próximos quatro anos de 60%, e este ano o aumento foi já de 20%. Disse que o fazia para aplicar “o princípio do utilizador-pagador”.
O PSD votou contra este aumento da água porque fizemos bem as contas. Ramos negou.
7 meses depois, chegaram os números oficiais da Câmara e o PSD tem razão!
Agora, o que o presidente e o PS deviam fazer era aplicar o princípio do “utilizador-recebedor”: a Câmara deve cancelar os aumentos e devia devolver aos consumidores o que pagaram a mais!
Mas o PS não o vai fazer. O que o presidente anunciou em Alcoentre é que vai concessionar o serviço de águas a uma empresa por 30 anos…
Para quê?
Só podemos prever que a água vai continuar a aumentar, talvez mais que o previsto, e alguém vai lucrar com isso e cada um de nós irá pagar por água que, em muitos sítios, nem se consegue beber!

1 de julho de 2006
A Comissão Política de Secção

*– Valores de Outubro/2004 a Novembro/2005, conforme estudo da C.M.Azambuja

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